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Educação alimentar desde cedo: como ensinar crianças a fazer escolhas saudáveis e conscientes

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Fuzileiros Navais Legenda: Marinha divulga edital de concurso público com 1.680 vagas para fuzileiros navais Foto: Marinha do Brasil / Divulgação

Sabemos que a alimentação saudável é algo muito importante para todos, principalmente  na infância onde os pais têm que ter esse controle e saber equilibrar a melhor maneira para educar os seus filhos na hora de comer. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a alimentação infantil é um dos suporte mais importante para o desenvolvimento  das crianças. Porém, os responsáveis das crianças enfrentam dificuldades para lidar com uma dieta para seus pequenos. 

O relatório público do Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional, com dados de pessoas acompanhadas na Atenção Primária à Saúde, aponta que, até meados de setembro de 2022, mais de 340 mil crianças de 5 a 10 anos de idade foram diagnosticadas com obesidade, o que pode acarretar problemas de saúde a curto e longo prazo, como doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão.

Desta forma, uma alimentação saudável varia entre diversos alimentos, como frutas, verduras, legumes, além de proteínas como carne, peixe , frango e ovos. O excesso em produtos industrializados, como refrigerante, biscoitos recheados, salgados, doces e outros tipos desses alimentos, podem causar problemas no desenvolvimento das crianças. Embora seja essencial que os pais tenham consciência que a comida é uma forma de socializar, por isso, ter um equilíbrio para às vezes permitirem uma “recompensa” alimentar que não vai afetar a saúde das crianças é essencial. 

A nutricionista Débora Marques, Educadora Parental (PDA e EEP) e Disciplina Positiva e CNV na Educação Nutricional para gestantes e crianças de 0 a 6 anos, respondeu algumas dúvidas em relação à alimentação infantil

Quais são os principais erros alimentares que os pais cometem em relação à alimentação dos filhos?

Na minha prática eu vejo 2 erros que influenciam muito negativamente na qualidade da refeição das crianças: primeiro a falta de planejamento, e isso vale para qualquer idade. A vida hoje em dia está muito corrida e se os pais não investem tempo em planejar e organizar a alimentação, o mais provável é acabar caindo no excesso de ultraprocessados (excesso de aditivos, sal e açúcar). O planejamento ajuda muito a ter uma alimentação mais equilibrada.  Em segundo lugar, reforço que é importante que os pais se relacionem bem com o alimento, que sejam exemplos do que eles acreditam que seja uma alimentação saudável. Muitos pais não comem de forma saudável e desejam que os filhos atendam essa expectativa.

 Quais são os nutrientes melhores para o desenvolvimento das crianças e como eles podem ser incluídos na alimentação?

Não tem nutrientes específicos. Na verdade, o que funciona é a variedade e equilíbrio. Frutas, legumes e verduras fornecem variedade de vitaminas e minerais; cereais integrais (aveia, arroz integral, milho), fornecem fibras e são as principais fontes de energia, através dos carboidratos; já as leguminosas, carnes e ovos são as maiores fontes de proteína que promove renovação celular e crescimento. Os alimentos fontes de gordura boa (azeite, castanhas/nuts, abacate, alguns peixes ricos em ômega 3, linhaça, etc.) são também importantes para imunidade e desenvolvimento cognitivo.

 Como a alimentação pode influenciar no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças?

Essa alimentação variada e equilibrada (citada acima), garante nutrientes para o bom funcionamento do organismo e também são importantes para promover uma microbiota saudável. Microbiota é o nome que damos ao conjunto de microrganismos que habitam o nosso corpo, principalmente no intestino, considerado o nosso segundo cérebro. Os estudos mais recentes reforçam a importância de preservar uma microbiota saudável para garantir saúde mental. Sendo assim, é importante garantir oferta de comida de verdade e variada e reduzir exposição às toxinas vindas dos aditivos alimentares, do BPA (componente presente no plástico), do alumínio e de outros metais pesados presentes em embalagens, utensílios, produtos de higiene e dos agrotóxicos, que tem sido cada vez mais frequentes na nossa alimentação.

É possível ter uma alimentação saudável com alimentos mais acessíveis e menos caros? Quais seriam as opções mais indicadas?

Sim. O que a gente deve priorizar são alimentos naturais e preparações caseiras, por exemplo: frutas, ovo, queijo, iogurte, castanhas, castanhas/nuts, milho cozido, pipoca, sanduíche com pão e pastinha caseira, bolo caseiro, etc. Nas preparações caseiras conseguimos selecionar melhor os ingredientes e reduzir consumo de açúcar, sal e aditivos alimentares.

Como combater o crescimento de índices alarmantes de obesidade infantil e quais medidas os pais podem tomar em casa para prevenir esse problema?

Cuidar do ambiente que a criança vive, ou seja, promover um ambiente que valorize alimentação saudável, sono de qualidade e prática de atividade física regular. Quando pensamos em alimentação, é importante cuidar dos alimentos que entram em casa (priorizar alimentos naturais e evitar excesso de ultra processados, açúcar e sal – “descascar mais e desembalar menos”), ter uma rotina bem organizada e um local de refeição que seja agradável para que o momento da refeição seja atrativo. Esses 3 pontos são importantes, porque é dessa forma que construímos uma relação saudável com a comida, estimulamos que a criança esteja concentrada no momento da refeição, sem telas e outras distrações para que ela perceba saciedade e coma somente o necessário.

Em resumo, é fundamental compreendermos a importância da alimentação infantil para o desenvolvimento saudável das crianças. Uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades nutricionais de cada fase da infância é essencial para garantir não apenas um crescimento adequado, mas também para prevenir doenças e problemas de saúde no futuro. Além disso, os hábitos alimentares adquiridos na infância podem ser levados para toda a vida, influenciando diretamente na qualidade de vida do indivíduo na idade adulta. Portanto, investir na educação alimentar das crianças desde cedo é um investimento valioso para o seu bem-estar futuro.

Foto: https://br.freepik.com/

Miguel Vicente

Jornalista

Educação

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